
Decepção, medo, angústia, mágoa, ressentimento, tristeza!
Quantos sentimentos surgem no momento da separação.
A dor de uma relação que se acaba só pode ser avaliada por quem a vive e, principalmente, por quem, apesar de separado, ainda sente amor.
Por mais que possamos imaginar como será, não conseguimos avaliar a profundidade do sofrimento quando acontece.
Durante nossa vida, tendemos a desistir muitas vezes de continuar.
Isso geralmente acontece quando esperamos atitudes e comportamentos que não acontecem; esperamos uma palavra e encontramos apenas o silêncio; esperamos o abraço e recebemos o desprezo; esperamos a presença e encontramos apenas a distância.
Nos sentimos machucados, feridos, decepcionados e dilacerados em nosso simbólico coração, onde guardamos nossos sentimentos mais caros.
Quando permitimos que alguém faça parte de nossa vida é porque acreditamos que cuidará de nosso amor como se fosse dele próprio, que buscará realizar todos seus sonhos sim, mas agora a dois.
Dizer "acabou", não quer dizer "deixei de amar", por mais que possa parecer; talvez, esteja mais próximo de um sonoro grito que diz: "acorde, estamos nos perdendo, vamos mudar, mas juntos". Colocar um final, mesmo com o coração partido, chorando, sangrando, pode ter sido motivado muito mais pela rejeição e desprezo sentidos com o silêncio, a distância, indiferença, falta de preocupação e cuidado com tudo aquilo que um dia foi motivo de união, do que corresponder ao desejo de realmente separar-se.
E quem sabe pode significar muito mais uma busca desesperada de salvar o que ainda há dentro de cada um: o amor!
Separar pode ser a esperança de renovar, fazer o outro pensar, um convite para a reflexão dos próprios sentimentos e do que levou ao fato em si e lembrar que enquanto houver amor, nunca haverá motivos suficientes para desistir.
E neste turbilhão de sentimentos, nessa mistura de alívio e sofrimento, angústia e dor, da presença constante à distância presente; abafamos nossos sentimentos, adormecemos nossos sonhos, calamos nossas vozes, sufocamos nossas emoções, como se fossemos capazes de evitar sentir a dor do presente e a saudade do passado, dos momentos vividos juntos e congelados em nossa memória, de tudo aquilo que vivemos e principalmente, do virmos a viver.
Em seu íntimo, sentirá a solidão e o vazio do que não mais existe, existirá o "eu" e não mais o "nós", quem sabe neste momento poderá de novo valorizar e desejar o "juntos" ao "sozinho", o "falar" ao "calar", "partilhar" ao "dividir", a "paz" a "briga", "espiritualidade" ao "poder e dinheiro", "humildade" ao "orgulho", o "diálogo" ao "silêncio", a "proximidade" a "distância". Quem sabe depois de se encontrar e rever todos esses valores, você poderá permitir-se amar e ser amado e, juntos voltar a sonhar!
Rosemeire Zago
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